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À descoberta da assinatura pessoal
Sexta-feira, 5 de Abril de 2013

Combinando os seminários de desenvolvimento pessoal e profissional, um dos eixos do Programa AconteSER, da ACEGE, com uma plataforma de blended learning, José Manuel Seruya e Ana Costa Cabral explicam, em entrevista, por que motivo o autoconhecimento e o incentivo à acção são cruciais para que as organizações cresçam em conjunto com as motivações dos seus colaboradores
POR HELENA OLIVEIRA

Em 2006, José Manuel Seruya e Ana Costa Cabral inaugurariam, na Universidade Católica, em Lisboa, uma Formação Avançada em Desenvolvimento Pessoal e Profissional. A convite da Associação Cristã de Empresários e Gestores (ACEGE) e no âmbito do Programa AconteSER, a formação foi-se estendendo – sob a forma de seminários - às mais diversas regiões do país, permitindo que um conjunto alargado e diversificado de pessoas pudesse ter acesso aos conteúdos da mesma, mas de forma gratuita. Em Dezembro de 2011, é lançada publicamente a plataforma online “Aprender e Agir” que, em regime de blended learning,não só oferecea possibilidade a qualquer pessoa de “trilhar os caminhos” propostos para o seu desenvolvimento pessoal e profissional, como, nos seminários já referidos, serve de motivação para os formandos que pretendem, de uma forma mais aprofundada, edificar e implementar o seu projecto de vida.

Em termos empresariais, a aposta no desenvolvimento pessoal do colaborador é, em Portugal, uma área ainda pouco desenvolvida. Razão pela qual esta formação se enquadra nos objectivos do Programa AconteSER, que visa dotar as empresas de lideranças socialmente responsáveis, um objectivo apenas alcançável se os colaboradores se sentirem parte do “bem maior”. E, para que tal seja possível, como dizia Sócrates, o filósofo, a máxima “conhece-te a ti mesmo” constitui o ponto de partida fundamental para não só se construir um projecto de vida, como para o integrar, seguidamente, no trabalho diário e, consequentemente, nos resultados da organização.

Ao fazer este curso, os colaboradores envolvem-se num processo de descoberta ou de validação pessoal de valores, crenças, competências, capacidades, vontades e sonhos, o qual permite atribuir um significado mais claro às suas escolhas e recursos, com impactos visíveis para si mesmos e, por consequência, para a sua missão enquanto profissionais.

Em entrevista ao VER, José Manuel Seruya e Ana Costa Cabral explicam, em pormenor, o que significa “aprender e agir”.

Como pode ser definido, em linhas gerais, o curso Aprender e Agir?
Trata-se de um curso de desenvolvimento pessoal e profissional, inédito em Portugal, proporcionado em regime de aprendizagem mista – blended learning – ou seja, presencial e à distância, composto por quatro módulos sequenciais, que designamos de Caminhos - O meu ponto de partida; Os meus recursos; Empreendedor e cidadão; O meu projecto de vida – interligados por uma pedagogia transversal aos mesmos.

Que motivos vos levaram a criar e a acreditar que era necessário um curso desta natureza?
Este curso nasceu na sequência da criação e implementação, em 2006, da Formação Avançada em Desenvolvimento Pessoal e Profissional, na Universidade Católica, em Lisboa. Esta Formação foi concebida e é leccionada por nós, autores do curso Aprender e Agir. A Associação Cristã de Empresários e Gestores (ACEGE) lançou-nos entretanto o desafio de “expandir” essa formação para todo o País, em moldes que permitissem ao maior número possível de pessoas passar por uma formação semelhante sem terem de despender um valor significativo e sem terem de se deslocar obrigatoriamente a Lisboa. Daí esta versão blended learning, com uma forte componente online.

Que grandes linhas de objectivos estão subjacentes à criação deste curso?
São quatro:
Criar um espaço educativo de desenvolvimento pessoal e profissional ao longo da vida, com recurso a metodologias de autoconhecimento e de incentivo à acção congruente, assentes num trabalho individual de aprendizagem mista (blended learning).

Promover a consciência da identidade integrada da pessoa – da sua assinatura pessoal – e estimular a prática de construção de projectos de vida e a sua concretização.

Contribuir para a credibilização e o enraizamento do desenvolvimento pessoal e profissional como área de educação fundamental para a realização integral da pessoa e para a construção do bem comum.

Intervir socialmente, numa perspectiva populacional muito alargada, com a intencionalidade de sustentar a gestão pessoal da mudança, o empreendedorismo a nível profissional, da comunidade (local, região), da educação, do chamado terceiro sector, entre outros, bem como a cidadania responsável nas suas múltiplas faces.

Quem são os principais destinatários do curso em causa?
Não podemos falar, propriamente, em “principais destinatários”. De facto, a inovação deste curso assenta - para além dos seus fundamentos conceptuais, isto é, nos conceitos escolhidos e nos processos que permitem a sua interacção - , numa pedagogia que permite que ele seja universalista em termos de destinatários: este curso é construído científica e pedagogicamente de forma a poder ser útil a adultos, jovens e idosos, sem que estes tenham de possuir habilitações específicas ou uma literacia informática significativa, quer sejam estudantes ou reformados, quer estejam desempregados ou a exercer uma qualquer profissão, etc..

A escolha duma plataforma de elearning em regime ‘free web application’ ou ‘open source’, para correr este curso, radica precisamente nesta intencionalidade de tornar o curso Aprender e Agir proveitoso para uma população muito vasta. Não podendo determinar-se com rigor qual a idade a partir da qual este curso pode ser útil, para uma pessoa em particular, considera-se de bom senso que os 18 anos serão a idade mínima para poder tomar uma decisão consciente, autónoma e muito pessoal de fazer este curso Aprender e Agir.

Que tipo de motivações levam, a vosso ver, à inscrição neste curso?
Seguramente, as mais diversas! Não há motivações mais ou menos específicas para esta proposta de aprendizagem, que possamos identificar de forma generalizada, mas pensamos que o traço comum a todas elas poderá ser, por um lado, a necessidade de as pessoas se conhecerem melhor, nas suas escolhas, nos seus valores, naquilo que lhes dá sentido, etc.; e, por outro lado, a expectativa de poderem encontrar respostas e ferramentas para poderem ser e agir de forma mais confiante e eficaz nos seus diversos contextos de vida pessoal e profissional.

Como é desenvolvida a relação entre formadores e formandos, na medida em que grande parte do curso é feita online?
Este processo de aprendizagem valoriza o relacionamento formando / formadores, pelo que integra sessões de grupo online e também presenciais, em jeito de tutoria, sessões presenciais para partilha de vivências, sessões presenciais de coaching individual e múltiplas actividades de tipo ‘outdoor’ em contextos muito variados.

Quais os principais benefícios deste curso?
A utilidade real deste curso vai variando ao longo do mesmo, em função das expectativas individuais e das escolhas que vão sendo feitas por cada pessoa a partir das múltiplas propostas de reflexão e acção. A percepção que cada pessoa tem do caminho que faz neste contexto, e do significado que lhe atribui, é algo de muito pessoal, e que aqui se considera ser suficiente como critério de validação da aprendizagem.

Os resultados a que o formando chegar dependem muito da sua liberdade, das suas motivações e capacidades, postas em jogo a cada momento do percurso de aprendizagem, e esses resultados serão, portanto, sempre diferentes de pessoa para pessoa. Este ponto é fundamental numa perspectiva de repartição de responsabilidades no sucesso da frequência deste curso.

Ao fazer este curso, a pessoa envolve-se num processo de descoberta ou de validação pessoal de valores, crenças, competências, capacidades, vontades, sonhos, o qual permite atribuir um significado mais claro às escolhas e aos recursos dessa pessoa, o que pode ter um impacto visível e positivo no seu agir.

A única garantia que aqui se dá, é que, ao fazer este curso, a pessoa ficará mais consciente e terá uma maior clareza em relação a quem é naquilo que faz, à sua identidade enquanto ser livre, ao seu agir nas múltiplas dimensões da sua vida. Os resultados a que a pessoa chegar dependem muito da sua liberdade, das suas motivações e capacidades postas em jogo a cada momento deste percurso de aprendizagem, e esses resultados serão portanto, sempre, diferentes para cada pessoa.

No âmbito do Programa AconteSER, têm percorrido o país, com seminários sobre desenvolvimento pessoal e profissional. Que tipo de empresas está mais interessada em submeter os seus colaboradores a este tipo de seminários?
Neles temos tido desde empresários em nome individual, até pequenas e médias empresas, industriais e de serviços, passando, inclusive, por algumas IPSS e serviços públicos (municípios, por exemplo). A diversidade tem sido, efectivamente, a nota dominante. Achamos, por isso, que qualquer tipo de empresa, ou até de organização não empresarial, poderá estar interessada nestes seminários.

O que é que se aprende e se treina nos seminários por vós ministrados?
Procuramos estimular as pessoas a reconhecerem as suas realidades, como as vêem, como se vêem nelas, e a evoluir no sentido de nelas poderem agir com boas, ou melhores práticas, sejam de motivação, sua e dos outros, seja de liderança. Temos a preocupação de que através dessas boas práticas se possa promover o bem-estar, seu e dos outros, e a produtividade.
Qual o feedback que têm recebido dos participantes relativamente aos seminários em causa?
Temos constatado uma receptividade muito boa a estes seminários, apesar de a maioria dos participantes ser fortemente surpreendida com a forma como eles decorrem, com a maneira como procuramos envolvê-los nos temas, proporcionar-lhes tomadas de consciência importantes e gerar trocas de ideias com utilidade imediata nas suas vidas e nas suas organizações.

Que balanço fazem dos seminários?
Para nós esta tem sido uma experiência fantástica. Já estivemos em Óbidos, Faro, Leiria, Torres Vedras, Vila Real, Águeda, Braga, Régua e Porto, e tem-nos marcado muito a disponibilidade e a expectativa para este tipo de temas e o acolhimento que nos têm dado. O balanço que fazemos de todos estes seminários é, portanto, muito positivo. Em termos quantitativos, foram já realizados 10 seminários, com formandos provenientes de 130 empresas.

Que entidades permitiram tornar estes seminários/curso uma realidade?
Desde logo a ACEGE, claro, e com particular destaque para a iniciativa dos seus núcleos regionais no que se refere aos seminários. Mas também a Fundação Calouste Gulbenkian e o programa Compete, do QREN, juntamente com os Parceiros do programa AconteSER - a CIP, o IAPMEI, a APIFARMA e a Caixa Geral de Depósitos.

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